domingo, 15 de novembro de 2009

O espetáculo da intimidade

Há um tempo venho pensando sobre a publicização da vida privada e a fotografia mais uma vez foi o meu ponto de partida para algumas reflexões. Por não saber direito o que seria a tal intimidade, aquietei os macaquinhos no sotão e esperei um pouco para ver as coisas com mais clareza. A clareza não chegou e decidi soltar os macaquinhos.

Cada vez mais dispositivos são criados (ou ao menos utilizados) para a veiculação do "Eu". Qualquer um já pode dizer em 140 caracteres o que está sentindo. Em mais ou menos 1000 caracteres já se pode resolver a questão que perturbava os nossos ancestrais há muitos séculos: "Quem é você?" Com exceção das sextapes que caem na rede contra a vontade de alguém, cada um diz o que quer e mostra o que quer no ciberespaço. É ali que o indivíduo decide quem quer ser, como quer ser visto e, nesse caso, tudo o possível.

O que mais me intriga é o fato de algo ter sido guardado a sete chaves por séculos e que agora esteja tão cercado de fetiches ao ponto de ser simulado, encenado, estetizado. A intimidade teria se tornado só mais uma peça da Société du Spectacle? Os afetos, a sexualidade, o corpo teriam realmente encontrado o seu espaço na esfera pública ou ainda estão minados por tabus maquiados com photoshop?


Se a intimidade mostrada dia após dia nos flickrs e facebooks da vida é só mais uma encenação, o que é as pessoas ainda guardam a sete chaves? Qual é o segredo que não é revelado nem no mais anônimo dos postscreets?




Nan Goldin
















Carolina Stieler




Cia de Foto,